Revoltado com a fome e a miséria causadas pelo domínio inglês, em 1729 Jonathan Swift – um sacerdote da religião anglicana descendente de ingleses, porém nascido em Dublin, na Irlanda – escreveu A Modest Proposal for preventing the children of poor people in Ireland, from being a burden on their parents or country, and for making them beneficial to the publick (Modesta proposta destinada a evitar que os filhos dos pobres, na Irlanda, se convertam em fardo para os pais e para a pátria). Nela, propunha utilizar na alimentação as crianças irlandesas; estaria assim resolvido o problema da fome no país; 20 000 dessas crianças, porém, seriam reservadas para a procriação.

 

O texto causou espanto e indignação. O escritor inglês Thackeray afirmou que Swift não tivera infância. No entanto, outros intelectuais foram solidários com o significado da sarcástica “modesta proposta”.

 

A expressão da revolta diante da injustiça seria a marca de Swift como escritor. Durante a ditadura republicana de Cromwell na Inglaterra, seu pai fugira para a Irlanda, e ele nascera em Dublin, em 1667. o coração do menino era inglês, e ele foi educado na religião inglesa. Porém, revelou-se um homem sensível à situação da Irlanda. E o retorno da monarquia, em 1688, em nada melhorara esta situação.

 

Nesse mesmo ano, Swift foi para a Inglaterra. Em 1693, com 25 anos, tornava-se doutor em teologia pela Universidade de Oxford. Oito anos depois retornou ao país em que nascera, para oficiar na igreja de Kilrooth.

 

Já em 1697, escrevia sua primeira obra, A batalha dos livros, com que entrava na polêmica entre escritores conservadores e modernizantes, e que foi publicada em 1704, com o Conto do tonel, em que atacava a vida religiosa inglesa. Nada escapava à sua crítica ferina e comentários pessimistas, nem mesmo a mulher que mais amou, Esther Johnson (a “Stella” a quem dedicava seus poemas), sem chegar a se casar.

 

Em 1726, publicou Gulliver’s Travels (Viagens de Gulliver), em que, pelo relato de viagens a países imaginários, oferece a suma de sua crítica ácida e sarcástica aos governos, às profissões, à vida social e religiosa da época. Sua obra causava cada vez mais escândalo e polêmica. Swift passava grandes períodos em Londres, atraído pela política e pela vida social que criticava. Os irlandeses não confiavam nele, por essa aparente vida dupla anglo-irlandesa.

 

Swift, porém, era fiel a suas idéias e em 1731 escreveu A morte do doutor Swift, em que desancava a si próprio. Em seus últimos foi perdendo a lucidez, tornando-se surdo e era conhecido como “o louco de Dublin”. Morreu em 1745, sem deixar de incluir os hospícios de loucos em seu testamento.

 

 

 

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